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A restauração do Sobradão do Porto, um dos principais patrimônios históricos de Ubatuba, começou nesta semana. O imóvel, construído em 1846 e fechado desde 2018, receberá intervenções para recuperar a estrutura e permitir que o espaço volte a ser utilizado pela população.
A iniciativa é da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do edital 13/2025, e liberação da Secretaria de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas. O investimento destinado à restauração chega a R$ 4 milhões.
Segundo a prefeitura, as primeiras ações incluem visitas técnicas e a demarcação dos pontos que passarão por recuperação. O projeto é desenvolvido pela Kruchin Arquitetura, sob responsabilidade técnica do arquiteto Samuel Kruchin, e contempla intervenções na fachada, cobertura, estrutura, vedações, revestimentos, pintura, pisos, forros, esquadrias, instalações, escadarias e ornamentos metálicos. A proposta também prevê medidas de acessibilidade.
Construído em 1846 para funcionar como residência e casa comercial de Manoel Balthazar da Cunha Fortes, o Sobradão ganhou importância pela localização próxima ao antigo porto de Ubatuba. O imóvel serviu como armazém e ponto de escoamento da produção do Vale do Paraíba, principalmente durante o ciclo do café, além de receber produtos como açúcar, fumo e algodão.
Em 1936, a importância arquitetônica do prédio foi reconhecida por Mário de Andrade, que encaminhou ao então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a indicação do imóvel para tombamento. O Sobradão foi tombado em 1959.
Desde 1981, o prédio é utilizado pela Fundart. Ao longo das décadas, recebeu intervenções para tentar conter a degradação. Em 1982, houve um restauro parcial pelo Iphan. Outras ações ocorreram em 2010 e 2020, mas não foram suficientes para concluir a recuperação do imóvel.
A nova restauração busca recuperar o patrimônio e permitir, no futuro, a instalação do Museu da Cultura Caiçara, além de um polo para cursos, palestras e atividades culturais.
Durante as obras, as atividades do Projeto Guri e da banda Lira Anchieta foram transferidas temporariamente para a sede da Secretaria de Turismo.