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A sessão da Câmara de Ubatuba desta terça-feira (23) foi marcada por momentos de tensão durante a discussão sobre a abertura de uma CPI para apurar possíveis irregularidades nos contratos da merenda escolar investigados pela Polícia Federal (PF).
A vereadora Jaque Dutra (PSB) voltou a defender a instauração da comissão e reapresentou o requerimento em busca de novas assinaturas. No entanto, nenhum outro parlamentar aderiu à proposta, que permaneceu com o apoio de Jaque, da vereadora Professora Jocely (PSB) e do presidente da Câmara, Gady Gonzalez (MDB). Como o Regimento Interno exige ao menos quatro assinaturas, a CPI não pôde ser instalada.
O plenário ficou lotado por apoiadores do governo municipal e moradores favoráveis à investigação. Em diversos momentos, manifestações interromperam os debates, levando à suspensão temporária da sessão. O presidente da Câmara precisou acionar a GCM para retirar pessoas do plenário.
Ao defender a CPI, Jaque afirmou que a investigação da PF trouxe fatos novos que justificam um aprofundamento das apurações pelo Legislativo. Ela classificou a falta de apoio à comissão como uma “blindagem” e disse que a ausência de uma investigação mais aprofundada poderia representar “omissão”.
Professora Jocely reforçou que o papel dos vereadores é fiscalizar e trouxe uma denúncia sobre dejetos de roedores em pães servidos a crianças de uma creche no Perequê-Mirim. Gady Gonzalez também se manifestou a favor da CPI.
Entre os vereadores contrários, Pastor Sérgio Alves (DC) e Manuel Marques (PL) classificaram a iniciativa como “politicagem”. Rogério Frediani (PL) afirmou que o tema seria um assunto “requentado” e criticou a pressão. Pastor Sandro Anderle (MDB) defendeu que a Câmara aguarde o avanço das investigações conduzidas pelos órgãos competentes.
Os vereadores João Mazieiro (PSB), Ceará (MDB) e Silvinho Brandão (PL), citado na investigação da Polícia Federal por supostos indícios de vantagens ilícitas, não se manifestaram durante o debate.