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Uma planta encontrada há 12 anos em uma área de Mata Atlântica de Ubatuba foi reconhecida como uma nova espécie pela ciência. Batizada de Conchocarpus piranii, a espécie também foi identificada em Caraguatatuba e teve sua descrição científica publicada pela equipe de pesquisadores da USP e de outras instituições do Brasil e da Dinamarca. O estudo acaba de ser publicado na revista científica internacional Phytotaxa.
O primeiro registro ocorreu em 2014, no Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, em Ubatuba. Os pesquisadores percorriam uma trilha próxima à Casa da Farinha quando encontraram arbustos com flores brancas que chamaram a atenção da equipe.
A confirmação de que se tratava de uma espécie desconhecida exigiu novas coletas e análises. Em 2023, uma segunda população foi registrada em Caraguatatuba. A partir dos exemplares, os pesquisadores compararam características da planta com outras espécies do gênero Conchocarpus, que reúne cerca de 50 espécies, além de realizar análises de DNA e estudos de anatomia foliar e floral, pólen e distribuição geográfica.
A Conchocarpus piranii pertence à família Rutaceae, a mesma das laranjas e dos limões, e pode alcançar cerca de 1,5 metro de altura. Entre as características que diferenciam a nova espécie estão estruturas próprias do ovário e a posição do estilete, parte da flor ligada à reprodução.
O estudo foi publicado na revista científica Phytotaxa. A descoberta chama atenção porque ocorreu em uma região do Estado de São Paulo que já recebeu inúmeras expedições e levantamentos botânicos. Para os pesquisadores, o achado mostra que a biodiversidade da Mata Atlântica ainda guarda espécies desconhecidas, mesmo em áreas bastante estudadas.
Segundo o professor Milton Groppo, coordenador do Laboratório de Sistemática de Plantas da USP de Ribeirão Preto, os remanescentes do bioma continuam como importantes reservatórios de diversidade. A identificação de novas espécies também reforça a necessidade de preservação, já que algumas podem ter distribuição restrita e depender de condições ambientais específicas para sobreviver.
O nome piranii é uma homenagem ao botânico José Rubens Pirani, professor do Instituto de Biociências da USP e orientador de Groppo durante sua formação acadêmica.